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20 de Novembro de 2017

Prezado Sr Cliente, a consulta jurídica é cobrada, SIM!

Agradecemos pela compreensão e pelo respeito à profissão alheia.

Camila Rodstein, Advogado
Publicado por Camila Rodstein
há 2 anos

Certa vez suspeitei que estava com algum problema de estômago, possivelmente por causa do estresse que é esta minha vida de advogada (especialmente criminal) e por causa da quantidade infindável de café que eu tomo por dia.

Um conhecido me indicou um excelente gastroenterologista, bem renomado na região, e telefonei para ele. Assim que fui atendida, expliquei que precisava agendar uma consulta, pois suspeitava que estava com gastrite, mas já fui logo deixando claro que gostaria de uma consulta gratuita, pois nem sabia se tinha mesmo gastrite e se teria que fazer algum tratamento com o gastro.

O médico aceitou, atendeu-me gratuitamente, e no final das contas descobri que não era gastrite, era um outro problema que não cabia à especialidade desse médico. Acabei marcando outro especialista e nunca mais voltei nesse gastro.

...

Obviamente isso nunca aconteceu!

Quando você liga para agendar uma consulta com um médico, dentista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, e até para marcar horário com uma garota de programa (perdoem-me, mas é mesmo um desabafo!), você sabe que vai ter que pagar!

E se você não tiver como pagar uma consulta médica, existe o SUS, mas aquele médico, em seu consultório particular, não vai atender de graça. Nem o médico do SUS atende de graça, pois ele recebe do Estado para atender você.

Pois bem, então por que é que advogado tem que atender de graça?

Prezado Sr Cliente a consulta jurdica cobrada SIM

Já perdi a conta de quantas vezes o cliente sumiu depois que passei o valor da consulta (e, gente, eu não cobro uma fortuna, eu cobro o mínimo da Tabela!). Também já perdi a conta de quantas vezes algum cliente me procurou dizendo que gostaria de uma "consulta gratuita" ou uma "reunião sem custo", a fim de "ver se vale a pena entrar com uma ação". E isso quando não ficam bravos comigo por cobrar a consulta. Já cheguei a ouvir de um cliente: "não concordo com essa cobrança, então não vou confirmar a consulta".

Sim, senhor! Vai com Deus!

Ora, se você quer dar uma pesquisada, existe o Google. Pesquise à vontade! Mas se você quer que um advogado, profissional formado, e cheio das suas qualificações, reserve um horário da agenda dele para conversar com você, analisar seu caso, ver quais as soluções possíveis (com base em tudo o que ele já estudou e vivenciou em sua carreira) e lhe dê uma resposta, SIM, você precisa pagar!

Consulta jurídica é trabalho! E trabalho sem remuneração digna é análogo ao trabalho escravo.

E se você não possui condições de pagar uma consulta jurídica com um advogado, existe a Defensoria Pública, onde, da mesma forma que o SUS, os defensores recebem do Estado para atender você.

Somos mercenários e queremos arrancar seu precioso dinheirinho? Não! Somos profissionais qualificados, que investem (e muito!) em suas carreiras, e que passaram anos se dedicando ao máximo para poderem defender os seus direitos. E com certeza sabemos muito mais de Direito do que você vai saber pesquisando no Google. E de prática jurídica também! E é por isso, pelo nosso trabalho, que cobramos.

Deu para entender?

O advogado também é gente, também come, também sai com os amigos, também tem família para sustentar. O advogado paga o IPTU daquela salinha onde ele o atendeu, bem como paga luz, água, telefone. O advogado também toma banho quando chega em casa, e sabe aquela solução jurídica rápida e eficaz que ele sugeriu? Ele aprendeu em um curso possivelmente pago, ou que exigiu, no mínimo, uma dedicação grande da parte dele.

Prezado Sr Cliente a consulta jurdica cobrada SIM

É desse dinheirinho que ele cobra de você, cliente, para atendê-lo ou para ajuizar uma ação que ele vive! Você também trabalha, certo? E você recebe pelo seu trabalho. Por que um advogado não pode receber pelo trabalho dele?

E se você acha que R$ 260,00 (o mínimo da tabela da OAB/SP) é muito para um consulta, vamos fazer aqui os cálculos de quanto esse profissional investiu para estar ali, neste momento, resolvendo o seu problema da melhor maneira possível?

Não é nada pessoal, não é por que ele não gostou de você, por que ele não foi com a sua cara, ou mesmo por que seja um mercenário sem coração que quer cobrar só para responder a uma "perguntinha". É porque ele vive disso! E ele se esforça para isso. E essa "perguntinha" ele só sabe responder porque estudou muito para isso.

Se você for a uma cartomante provavelmente sabe que vai ter que pagar pela consulta. Então, por favor, saiba: se você for a um advogado, vai ter que pagar pela consulta.

Obrigada!


Gostou do texto? Leia mais no blog Diário da Vida Jurídica.

AVISO IMPORTANTE

Este texto foi originalmente publicado no blog Diário da Vida Jurídica - DVJ, sob a autoria da Dra Camila Sardinha, idealizadora do blog. A reprodução total ou parcial desta é autorizada somente mediante a manutenção dos créditos e a citação da fonte original (link aqui). Grata.

257 Comentários

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Sei bem como é isso, Dr.ª
Mas isso só vai mudar quando cobrar a consulta jurídica for a regra, e não a exceção. Infelizmente, somos culpados, enquanto classe profissional, por esta situação. Por isso, mantenha-se firme! continuar lendo

Com certeza, Dra! Enquanto outros colegas se sujeitarem a trabalhar de graça, nós, que cobramos pelo nosso trabalho, seremos taxados de "mercenários". Mas o que importa é que nos valorizamos, e eu bem sei o valor que meu trabalho tem. continuar lendo

Espero que se um dia for um advogado, seja uma regra :/ continuar lendo

O difícil é ler comentários que não cabem. Todos têm o direito de comentar. de expor suas ideias, seus valores, porém, jamais escrevendo coisas que causam espécie.

Agora, pagar para "adevogados", realmente é ruim, "Sem esquecer que", também é ruim. continuar lendo

Dra. Camila está a engrossar nossas fileiras por trabalho justo e assim, por sua vez os consulentes vão entender que "Achou meu trabalho caro?" "já tentou fazer"... Respeitar o especialista é preciso. Nós também. É uma transição dificílima eu sei, mas vamos nos unir, como disse em meus trabalhos, eles vão bater e cada porta vai dizer cobramos sim.... Então? Continuemos seguindo juntos. continuar lendo

Muito bem!
Quando algum cliente falar: "Vai me cobrar por uma consulta de um probleminha que você pode resolver em 5 minutos?". Você indica a prateleira com os livros e diz: "se quiser eu não cobro e o Sr. procura a solução ai nos livros, garanto que passará mais de 5 minutos até encontrar". haha continuar lendo

Ou indique o site do Planalto para que ele procure a solução jurídica em uma de nossas infindáveis leis! continuar lendo

kkkkkkk!!! Muito boa!!! continuar lendo

Duvido muito que levem apenas 5m para a resolução da (s) sua (s) dúvida (s) continuar lendo

Interessante mas controverso. Pra começar, prostituta nao cobra consulta. Se vc for la perguntar o que ela pretende fazer e como pretende fazer, tenho certeza que não precisa pagar nada.

Se sou a favor ou contra, isso é outra historia.

Minha primeira formação profissional foi como técnico em eletronica. E pergunto Doutora. Vc aceitaria pagar por um orçamento ? Creio que não, pois tem até algo no CDC que proibe a cobrança por orçamento.

Mas vc sabia que pra fazer um orçamento dá trabalho e quase sempre precisa-se consertar primeiro ? Conserta-se, verifica como consertar, DESconserta e passa o orçamento.

Enfim, o mundo está cheio de profissionais que são obrigados a dar consulta de graça. Escrevi esse texto abaixo há algum tempo mas creio que ilustra bem a situação.

- Sr funileiro, poderia dizer quanto fica pra consertar meu carro ?
- Claro, mas para falar eu cobro 50 reais.
- Mas qual a justificativa disso ?
- Pra saber como consertar foram demandadas horas de estudo e trabalho pratico. E isso teve um custo. Alem do mais, o tempo que eu gasto olhando seu carro e avaliando se é possivel consertar, eu poderia estar trabalhando em outro carro que já está na oficina.
- Ah, esta certo. Aqui os 50 reais. :)

Tenho certeza que esse seria o comportamento do advogado na oficina. Pagaria com a maior naturalidade, afinal se trocar as palavras carro por caso, o argumento é o mesmo do advogado

E tem outra. Depois de comprado o serviço.

- Funileiro, o conserto do meu carro nao ficou bom. Na verdade ficou até pior do que quando trouxe.
- Ah, as chances do conserto dar certo são de 50%. Mas eu cobro do mesmo jeito.
- Mas vc nao se responsabiliza pelo conserto ? Não disse que era possivel consertar ?
- Pela minha parte eu me responsabilizo sim. E era possivel. Mas sabe como é, cabeça de São Pedro e bumbum de nenem, a gente nao controla. Ai choveu no dia da pintura e ficou isso ai. A culpa é de São Pedro.
- Ah, está certo. Aqui está o valor combinado. Entendo perfeitamente a situação. :)

Ou será que o argumento só vale para advogados ?

Eu adoraria que os advogados pensassem assim quando eles são clientes da situação. Eu admito que não penso assim, nem pra mim nem pra ninguem. Por isso acho que os advogados devem usar argumentos que valham para outros profissionais tambem. continuar lendo

Seriam muitos os exemplos similares aos seus, diferenciando orçamentos de trabalhos contratados, acordados e executados de fato. Um processo por erro médico prejudica absurdamente a carreira de um médico, mas advogado que perde... perdeu, como você bem mencionou, Carlos! Não é "errado" que um advogado cobre consulta, claro! Mas que isto seja regulado por mercado e expertise. Esta semana fiz orçamentos de vidraçaria: uma cobrava taxa de 20 reais, por ser muito famosa e a outra não! Hoje é o que ocorre no direito e é o razoável. Alguns já cobram valores altos por serviços de excelência, que, infelizmente nem todos advogados têm condição de prestar. Mas a pior parte é a sucumbência! Que é quando a causa é ganha e o advogado recebe ainda mais por ter obtido êxito no trabalho para o qual já recebeu!!! Originalmente este dinheiro era para reparar o prejuízo de quem foi acionado "injustamente" e ainda teve que pagar um advogado para se defender. Agora é apenas exemplo de como praticamente todos advogados sabem muito bem como discursar bonito, mas neste exemplo prático, não clamam, não reclamam e nem querem "ensinar 'a socidade"... Enfatizo: não são todos advogados assim, mas grande parcela é. O direito é uma profissão saturada, o Brasil tem uma grande quantidade de profissionais, proporcionalmente, e não há como fugir de uma competição ferrenha. Novamente: cobrar é natural, mas cada cliente escolhe o custo/benefício que lhe cabe e não adianta espernear. continuar lendo

Parabéns pelo posicionamento Carlos, mostrou sensatez e inteligência. continuar lendo

É amigo...O argumento vale para advogados, fonoaudiólogos, médicos, dentista, entre outros; sinto por você não ser nenhum destes; sinto também pelo CDC não permitir a cobrança de orçamento de serviços como o exemplo supra...É a vida, melhor dizendo, é a lei...Sou advogado e cobro por qualquer "perguntinha"...E os clientes pagam...E como pagam... continuar lendo

Controversa muito bem colocado,Carlos. Gostei. Penso exatamente dessa forma. Não creio que alguém invista dinheiro, tempo, estudos, esforços e se torna um advogado para ganhar a vida de consulta. Cada pessoa que desiste da consulta porque o advogado cobra, é um cliente a menos e um honorário que perde. E lembrem-se, um cliente satisfeito te trarão muitos outros clientes, mas um cliente insatisfeito, além de não trazer outros, falará muito mal do seu trabalho afastando outros que poderiam vir a ser futuramente. É a lei da oferta e da procura. continuar lendo

O raciocínio é bom... tenho que concordar. Mas, não é tão simples assim, pergunto: você já foi funileiro? O funileiro "das antigas" ainda precisa do tempo bom com sol para a pintura ficar boa - principalmente pelas bolhas que a umidade pode ocasionar, nem mesmo um bom selador segura a tinta - e mesmo assim ele deixa claro que o serviço pode demorar mais ou menos dependendo das condições climáticas e para isso dá um prazo razoável para finalizá-lo.
Ok... acontece que atualmente é muito difícil encontrar um funileiro que ainda necessita do sol - claro que pode haver, e muitos, pelo Brasil afora, mas é difícil. Existem câmaras de pintura que dão a oportunidade de o funileiro - ou chapeador, como chamado no sul - pintar os automóveis em qualquer clima. Dessa forma um bom chapeador que presta o melhor serviço não vai lhe entregar um carro cheio de bolhas, até por que seria erro dele. Além disso, caso ocorra o erro na pintura - caso seja um "das antigas" como eu fui - faz-se uma nova pintura sem acréscimo ao cliente, nada mais justo, foi sua falta de técnica - saber o dia correto para pintar - que ocasionou o erro.

Agora os advogados...
O advogado que afirma ter 50% de chance de ter procedência na ação está cumprindo seu dever perante o cliente, devendo sempre evitar "aventuras jurídicas", e a procedência da ação em nada tem causa com o seu trabalho - e se tiver... responsabilidade civil e administrativa (perante a OAB) estão aí. O juiz decide conforme seu livre convencimento motivado e dá seus fundamentos, cabe ao advogado no prazo legal interpor recurso.

Portanto, o advogado em sua função age da melhor maneira possível (legalmente) para atingir os direitos pleiteados pelo cliente, usa inclusive de técnicas novas - teses estrangeiras ou até extravagantes - para tentar convencer o juízo que sua pretensão é legítima.

Comparações desse modo, sem fundamentos, é típico de desinformação e pouco análise de caso a caso.

Naum,
Formando em Direito. continuar lendo

Aos leigos, somente uma sugestão de pesquisa - Obrigação de Meio e Não de Resultado.

E como mulher, tive que me esforçar para continuar a leitura depois do desastroso começo, tendo em vista que a "profissional! vai efetuar" o "serviço!, já um CONSULTOR jurídico NEM sempre é PROCESSANTE. Esse é o problema cultural do cidadão brasileiro, não entende que o advogado não se forma para ser contratado para processar. Também somos orientadores, assessores jurídicos, consultores, gerenciamos crises. Evoluam gente, parem de centralizar somente em suas possíveis necessidades. Ademais HÁ exceções, como advocacia trabalhista. continuar lendo

P.S Se seu médico não te curar, você não deveria pagar... Sabe porque você TEM que pagar? Obrigação de MEIO. Já é meia pesquisa dada. continuar lendo

Muito me entristece ver que muitos cidadãos desconhecem a função do advogado!

Para se ter uma "consultinha", uma "perguntinha" rápida, existe a internet! Basta fuçar no Google que você acaba achando alguma coisa. Mas um Advogado pode viver de consulta, sim!

Advogado processa? Sim! Mas também faz assessoria, consultoria, resolve problemas extrajudicialmente (se for o melhor pro cliente), gerenciamos empresas, gerenciamos crises econômicas e financeiras.

Aliás, prezados, recorrer ao judiciário é a última solução, pois demora e muitas vezes é possível uma solução extrajudicial, ou mesmo com uma mera consulta jurídica.

E os senhores se recusam a pagar por isso? Nesse caso, só tenho a dizer: a porta é a serventia da casa.

Att. continuar lendo

Concordo perfeitamente com você, Carlos. Parabéns pela sobriedade em tratar do tema. continuar lendo

Caro Carlos,

Foi muito boa a sua comparação, algumas vezes que eu levei meu antigo carro para consertar eu percebia o esforço do mecânico para avaliar o serviço, ele levantava o carro, se deitava no chão para ver o carro por baixo, sujava a mão de graxa, um serviço totalmente insalubre e perigoso, pra no final eu somente dizer: “obrigada pela atenção, mas não vou consertar agora”, não, eu não me sentia bem falando somente isso, eu perguntava quanto custou a avaliação, pois eu me imaginava fazendo aquilo. Se eu decidisse prosseguir com o conserto eu pagava somente o valor que o mecânico sugeria, pois eu acredito que ele já esteja incluindo o valor de todo seu esforço e trabalho.

A realidade é que nós moramos num país onde as leis são criadas de forma tendenciosa para favorecer a elite. As profissões de médico, advogado, engenheiro, dentista etc, são as mais requeridas pela elite e por isso são mais valorizadas, foram criadas leis que exigem uma formação de nível superior, um ensino que requer custo financeiro e por isso não é acessível a toda população, e quem tem condições de exercê-las são filhos de grandes empresários, políticos, que lógico, querem ver seus filhinhos vivendo com conforto. Já as profissões de mecânico, pedreiro, marceneiro, jardineiro, gari etc, não são valorizadas, não é exigido nível superior e qualquer pessoa pode exercer. Talvez se o sonho do filho de um desses políticos fosse ser gari, com certeza iriam rapidamente fazer uma lei para subir o teto salarial, melhorar as condições de trabalho e até exigir um nível superior, aí era mais quem iria sonhar em ser gari.

A verdade aqui no nosso país é que: o tempo e o esforço do rico é dinheiro; o tempo e o esforço do pobre não vale nada ou quase nada. continuar lendo

Meu caro, tem porém na sua observação. O fato de o sr. olhando o veículo (gastando seu tempo) fazer o orçamento, não vai de maneira nenhuma resolver o problema do veículo se o proprietário não contratar o seu serviço, enquanto o advogado muitas vezes resolve o problema do cliente apenas em uma consulta.
Assim, o orçamento não resolveu o problema do veículo enquanto a consulta ao advogado por muitas vezes resolve o problema do cliente. Certo.
Cobro consulta sim. continuar lendo

Caro Carlos Caporal! Entendo suas justificativas, mas pondero que as coisas não são bem assim. Há clientes que marcam um horário, mas por meras conveniências suas nem sequer comparecem à consulta jurídica marcada. Advogados, assim como quaisquer outros profissionais, precisam discilpinar suas atividades em horários bem definidos. Isso é primordial para que possam evitar assim o estresse resultante do acúmulo de serviço. Uma consulta com um bom advogado, que leva a sério a sua profissão, é bastante proveitosa e esclarecedora. O advogado por excelência, deve ser atencioso com todos, sejam eles, clientes ou colegas de profissão. Deve respeitar e compreender as dificuldades dos demais colegas, sobretudo, os que estão em início de carreira tendo em vista que os mesmos não têm como concorrer com grandes escritórios e advogados de boa clientela que já se encontram bem estabelecidos no mercado, mas que, assim como os novatos de hoje, no início de suas carreiras também tiveram suas dificuldades. É lícito e ético cobrar pela consulta, mas há os que não cobram e por vezes se prestam a atender gratuitamente, assim o fazendo em alguns casos, não com o intuito de aviltar a profissão, mas agem por vezes, em face da necessidade de adquirir experiência com a prática e das dificuldades financeiras que toda profissão impõe. Por fim, não dá para comparar um advogado com um funileiro. Ambos são trabalhos dignos, mas o advogado trata de questões referentes aos bens da vida. É ele quem postula o remédio ou o tratamento de saúde que o serviço público se nega a fornecer. É ele que por vezes, já cançado, depois de um dia de trabalho é acordado durante sua noite de sono, no aconchego do seu lar e de sua família para se encarregar de fazer uma peça urgente, ao longo de uma madrugada inteira para ser protocolada no dia seguinte, objetivando buscar e apreender um menor que está em situação de vulnerabilidade e que por vezes se encontra em local ignorado, visando com isso, resguardar os interesses da criança que poderá ser vítima de violência iminente. É bem verdade que um funileiro apenas se encarrega de consertar a parte estrutural de um veículo que nada mais é do que um bem material, mas o seu serviço também dever ser respeitado e ter o seu valor reconhecido. Em face da comparação feita convém lhe perguntar o seguinte: Você conhece algum funileiro que trabalhe batendo em lataria de veículos durante a madrugada? Um advogado não é melhor do que ninguém. Não deve se achar melhor do que ninguém. É um ser limitado. Seus pleitos por mais que sejam bem fundamentados esbarram na capacidade de convencimento de um juiz. Ele não é um fim para a causa. É um meio de viabilizá-la sem a obrigação de se comprometer com o seu sucesso. Um advogado, assim como qualquer ser humano possui suas falhas, mas delas deve extrair um bom aprendizado objetivando se aperfeiçoar cada vez mais no caminho que escolheu trilhar, seja por conveniência, seja por vocação. Parabéns a todos os advogados do Brasil pelo dia de hoje.

Eduardo Peixoto - 11/08/15. continuar lendo

Eu sou economista. É muito comum desde a minha namorada até no salão que corto o meu cabelo me perguntarem sobre finanças. Reconheço que na maioria dos casos são perguntas tão simples que sequer julgaria passíveis de cobrar o que quer que seja. Em outros são perguntas mais complexas, mas é divertido que me obriguem a pensar, e não me julgo legítimo de cobrar algo que me ajuda a me manter ativo em minha área.
Eu tenho o meu trabalho - não sou um profissional liberal, nem atuo com gestão de patrimônio. E cursei uma faculdade pública. Se existe algo que eu posso fazer para devolver à sociedade a faculdade que me pagou, é ao menos isso. Mas não me furtaria de cobrar caso alguém me pedisse para realmente gerir a sua carteira de investimentos, ou determinar alguma varíavel que possa ser determinada por outras variáveis quantificáveis. Ainda assim seria um prazer, mas isso exigiria mais que um exercício mental.
Por isso considero um exagero cobrar na consulta. Mas sempre encarei com prazer a busca em livros (não à toa participo deste forum). Mas respeito, com reservas, quem o faz. continuar lendo

Há grande confusão no argumento supramencionado. Visto que o advogado não cobra pelo orçamento, por exemplo: em determinada causa eu cobro $$$, já a consultoria é outra coisa, bem diferente de orçamento, ou seja, todos podem procurar escritórios de advocacia para perguntar quanto que o doutor cobrará para entrar com a ação, tenho certeza que nenhum operador do direito cobrará ao afirmar que é 20 ou 30%. Porém, para direcionar com clareza a solução do problema em forma de consultoria, a qual exige conhecimento técnico para solução do caso, certamente será cobrado. Frisa-se que, muitas vezes o cidadão acredita ter um direito que na verdade não existe, ou seja, ao se aventurar juridicamente poderá pagar valores bem superiores ao de uma consultoria. Por fim, não me importa a oferta ou procura pelo serviço, mas se quiser consultoria nas minhas instalações de trabalho terá que pagar, do contrário, pode dirigir-se ao concorrente, por outro lado, por um simples orçamento, não terá que pagar nada. E derradeiramente, informo que comparar a prestação de serviço público com relação no CDC é nada mais que pura falta de conhecimento, mas, pode ser resolvida com uma simples pesquisa na internet, ou pagar uma consultoria para aprender sobre relação de consumo e os requisitos amparados pelo código do consumidor. continuar lendo

"Pra começar, prostituta nao cobra consulta. Se vc for la perguntar o que ela pretende fazer e como pretende fazer, tenho certeza que não precisa pagar nada." Como pode fazer esse tipo de comparação? Ligar cobrança de honorários advocatícios aos contratados por prostitutas é no mínimo um desrespeito. Advogado não é prostituta. Advogado não ganha a vida deitado. Advogado merece RESPEITO. continuar lendo

Estude sobre "obrigação de meio" e "obrigação de fim", meu caro! Depois de estudar, ao menos isso, já estará credenciado moralmente a comentar. Não em qualquer publicação do site, mas, apenas nessa. continuar lendo

Queridos

Quem citou prostituta foi a dona do artigo. Eu apenas segui a comparacao e o conhecimento equivocado dela quanto a consulta / perguntinha.

No inicio do meu comentario eu nao me coloquei a favor ou contra, mas tracei um paralelo com outras profissoes. Muitos nao leram essa frase. Imagino que quem não leu nao é bom advofado (ou nem é advogado) pois não se deve esquecer nenhum detalhe.

Quanto a montar a estrategia, isso eu concordo que deve ser cobrado. Agora ir ao advogado e perguntar. "Dr aconteceu isso, eu tenho esses documentos, podemos fazer alguma coisa ? O que mais eu preciso ?"

Isso não é consultoria, é orcamento. Mesmo pq muitas vezes o advogado responde.
"Nao temos argumento suficiente para abrir um processo com isso" ou qq coisa que mostre a inviabilidade da situação.

E se responder "Claro, isso tem consistencia para um processo ou procedimento jurídico extra judicial. Quer prosseguir ?"

A partir dai, concordo em pagar sempre. Antes disso, nao disse que nao concordo mas acho que tem que ser um peso e uma medida. E nenhuma profissao cobra pra saber da possibilidade de fazer.

Sobre os 50% de chances que o advogado fala em TODO processo, acho muito sem criterio. Claro que tem duas opcoes, ganhar ou perder. Mas 50% ?
Vou processar a Ford pq enjoei da cor do meu carrpo zero. 50% ? Sou leigo mas eu diria no maximo 10% pq nao vejo sentido em ganhar uma causa dessas.

Se perguntar para um advogado.
"Dr, se eu pular de um aviao a 10 km de altura, sem paraquedas, quais as chances de eu sobreviver. ?"
Ele vai responder
"50%. Vc pode morrer ou sobrviver. E Deus quem decide."

Apesar de haver duas possibilidades, temos que ter algum criterio para dar chances.

Aos que entenderam, comentaram ou não , parabéns !!

Alias, parabens a todo mundo. Adoro esse forum !! :) continuar lendo

Começando que contrato de prestação de serviços jurídicos entre advogado e cliente não é regido pelo CDC, mas sim pelo Estatuto da OAB. continuar lendo

Caríssima Doutora,

Logo após nossas mensagens, recebi mais uma maravilhosa matéria do DVJ, que caiu como uma luva para nós, parece até que foi inspirada em nossos contatos!

Tentei por todos os meios registrar meus comentários publicamente em seu blog e assim prestigiar o excelente artigo, mas uma incompatibilidade qualquer frustrou meu intento.

O importante, e que cumpre registrar, é que todo e qualquer posicionamento é livre e legítimo.

Porém, há advogados e "adevogados", pagar para descobrir isto (ma minha humilde opinião) está absolutamente fora de questão, há alguns com dificuldades com o português, isso mesmo, com a língua pátria, já deparei-me com vários, alguns destes ao responder um simples e-mail, pasme, julgam estar "postando no face"!

Assim. não é uma mera questão de preço, até porque é de conhecimento popular que tudo aquilo que é previamente avisado/tratado (isso na primeira oportunidade e mesmo sem ser questionado) nunca é caro! E nem barato, até porque foi previamente avisado e livremente pactuado,

Sem nos esquecer que o CDC preceitua plena e ampla informação ao consumidor, em qualquer relação de consumo e ainda que o produto seja intangível (serviço).

Enfim cobrar é uma opção legítima, sem qualquer dúvida, desde de que o cliente não descubra isso em uma plaquinha na porta ao chegar no escritório.

É exatamente esta atuação objetiva e elogiável que nos poupou maus-entendidos.

Todos, absolutamente todos (clientes e patronos) deveriam seguir este exemplo;

Outro cuidado importante é com profissionais multitask, sem a devida especialização, desta forma o primeiro contato é de vital importância para tentar desenvolver empatia e segurança, antes de lançar-se às cegas em qualquer aventura.O advogado dispõe do conhecimento, o o cliente conta apenas com o "feeling", logo não pode desprezar o primeiro contato, assim como não pode contratar o primeiro advogado e menos ainda sair pagando várias consultar até efetivamente assinar o contrato.

Avaliar experiências em casos correlatos e "sentir" o profissional é indispensável.

Finalmente, um aspecto de fundamental importância é que cada profissão e/ou profissional tem particularidades intrínsecas, e é justamente estas peculiaridades que inviabilizam comparações.

Lamento não ter conseguido publicar e assim contribuir e prestigiar seu blog.

Obrigado pela oportunidade e também por avisar da possibilidade de publicar aqui! continuar lendo

Concordo plenamente, Marcio Tadeu Martins continuar lendo

Prezado, boa tarde!
Permita-me discordar da segunda parte de seu posicionamento, pois se um advogado possui um escritório, assim como o médico um consultório, antes de você consulta-lo, pelo menos perguntará a sua secretária, seja por telefone ou pessoalmente, se ele atua ou não nesse ou naquele ramo, pois não creio que um advogado cobraria consulta para dizer que não atua no criminal! Por isso, entendo que a cobrança é importantíssima para a manutenção e do bom andamento financeiro do profissional, além do que, postura essa que valoriza uma profissão, que ultimamente anda muito desvalorizada. continuar lendo

Prezado Senhor, já o respondi por email, mas volto a dizer aqui: a cobrança da consulta jurídica é diretriz da OAB e faz parte da ética da profissão. Ademais, ressalto que à relação advogado/cliente não incide o CDC, haja vista que a advocacia não se trata de atividade comercial, e sim de função social de utilidade pública, conforme preceitua nossa Constituição pátria, que acredito ser de conhecimento do senhor.

Att. continuar lendo

Parabéns, Dra. Camila. Concordo plenamente com você !!! continuar lendo

Prezado Éverton,
A relação entre o advogado e seu cliente jamais poderá ser regida pelo CDC.
Como bem destacou a Dra. Camila, o advogado exerce um múnus público, previsto pela Constituição Federal.
Tanto não é uma atividade comercial, que o Código de Ética e Disciplina da OAB proíbe a propaganda.
E mais, um dos requisitos para configuração da relação de consumo é a existência de mercantilismo, o que não ocorre com nossa profissão. continuar lendo